quarta-feira, 22 de outubro de 2014

estômago


engordei nos últimos meses
mais do que eu poderia
comer tornou-se um vicio
insaciável
como mais para preencher um
espaço
do que de estômago vazio
eu fico triste e como para
voltar a sorrir
não era assim e eu nunca
acreditei nessa história de comer
para ser feliz
mas hoje comer tornou-se
a cura e a doença
eu como tudo que vejo
pela frente e me volta a paciência
comi parágrafos, linhas, pontos,
acentos e vírgulas
engoli sem mastigar desejos
e angustias
devorei silêncios como quem
se enterra na areia
agora eu escrevo o que não digo
faço da minha fome um
vazio coletivo
me falta estomago pra tanto verso
eu nem mais escrevo, isso confesso
tentei rimar queijo com goiabada,
arroz com feijão, rimas tão pobres
e perfeitas que resolvem qualquer
indigestão
engulo com cara doce o azedo
e o amargo na ponta da língua
há de acontecer uma digestão leve
e tranquila em algum momento
sem peso no estômago da vida,
sem ânsia de vomito, queimação
ou azia
fazia tempo que eu não te comia
fiquei só no desprezo
agora eu sou  água na boca
alma vazia, 
desejo.

bruno alves da silva

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